A Arte

Olhe ela chegando
montada num cisne branco.

Vinha da Europa
e estava toda bela.
Enquanto lá estivera
pudera
ficar solitária algum tempo,
olhar os próprios pensamentos.
Achava isso importante.
Foi ao Louvre… ao Moulin Rouge…
Sentiu-se até como uma princesa
(faltando apenas a fada-madrinha)
quando viu os castelos que a Europa tinha
(Grimms, dai a ela uma fada!)
Tirou de entre as penas do cisne
a Ópera, o Vinho
e os presenteou à Itália.
A Grécia é que teve a graça
de receber o Teatro e a Filosofia.

A Maquiagem que nos pinta
A Cirurgia que nos plastifica
A Geometria que estrutura as pirâmides
A Cerveja que desestrutura os homens
E o Tambor, tu quer?
Maracatu…
Candomblé…
A África, com toda a sorte
de minérios, com o Nilo,
com uma Fauna que é só sua,
com uma Flora que é só sua,
ambas, banhadas por um Sol que é só seu.
Ah, África! Com seios tão lindos e cheios,
não amamentas os próprios filhos!

Na América do Norte
foi onde esbanjou toda a sua beleza.
Essa Arte vaidosa…
Lá não importava ter conteúdo
importava ser bela,
e isso ela era!
Andou de mãos dadas com
o Encanto e a Luxúria,
de Hollywood até a Broadway.
Mas veio embora logo,
eles são fatigantes.

O Brasil
é uma salada com isso tudo e ainda tem mais…
As frutas de Carmen
fatiadas com o Machado de Assis
e as suas cascas de toda cor,
que vão fazer depois
uma foto bem grande para o Vik Muniz.
Caetano gosta, acha
exclusivas as frutas do Brasil!
Contou isso para a Fernanda
e veio um Monte de Negros provar.

Olhe ela indo,
subindo
nas costas do cisne branco.
A Arte…
Tomara que viva pelo menos
mais cem anos.

 

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6 thoughts on “A Arte

  1. Legal, muito legal, gostei bastante, e mais ainda da parte “E o tambor, tu quer?”, porque me lembrou várias coisas: o livro “The stolen legacy: Greek Philosophy is Stolen Egyptian Philosophy”, que eu nunca li mas já ouvi falar e também um poema chamado “Quero ser tambor” do poeta moçambicano José Craveirinha.

  2. Bom, para começar, reafirmo que acho o seu poema bom, eu não mudaria uma palavra. Não acho problema vc admirar a Europa também, mas achei importante inspirar uma reflexão. Inclusive acho que existem boas razões para que admiremos a Europa, porque a palavra escrita se difundiu lá primeiro e é natural que quem goste de literatura se interesse pela Europa. Quanto à parte do tambor, eu de fato gostei, e entendi o efeito de sonoridade que vc quis criar, portanto não acho que vc estava subestimando a África. Eu entendi essa parte como: E a África? Não tem sua graça também?

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